12 fatos sobre gueixas que talvez você não saiba

12 fatos sobre gueixas que talvez você não saiba

Sou suspeita em falar, mas a cultura japonesa é realmente instigante. Quanto mais você lê, pesquisa e se informa, mais assuntos interessantes descobre.

Em 2015, escrevi o roteiro da HQ A Samurai, uma história ambientada no período Edo, época em que o Japão era governado por senhores feudais, defendido por samurais e enfeitado por gueixas.

A personagem principal da história chama-se Michiko, uma moça que cresceu como gueixa, mas decidiu tornar-se uma samurai para sair em busca do sonho de conhecer a própria família.

Capa da HQ A Samurai, de Mylle Silva

Gostaria de dividir a minha pesquisa sobre sobre o assunto com vocês. Para tanto, reuni alguns fatos importantes sobre gueixas, as representantes japonesas do feminismo e da liberdade dentro de uma sociedade machista e estratificada.

1. Há pelo menos 3 termos diferentes para denominá-las

12 fatos sobre gueixas que talvez você não saiba

Geisha (芸者), geiko (芸子) e geigi (芸妓) querem dizer a mesma coisa: artista. O kanji gei (芸) está relacionado a entretenimento ou algo que exige certa habilidade. Sha (者) significa pessoa ou coisa, Ko (子) significa criança e Gi (妓) significa uma mulher que canta ou toca algum instrumento.

2. Já existiram gueixas do sexo masculino

12 fatos sobre gueixas que talvez você não saiba

Sei que pode soar meio estranho, mas sim, haviam gueixas do sexo masculino. Mas calma, eles eram bem diferentes das gueixas que conhecemos hoje. Gueixas do sexo masculino – chamados de Taikomochi – eram mais parecidos com os bobos da corte ocidentais e eram uma espécie de faz tudo do senhor feudal no século XIII. No entanto, quando as oirans (prostitutas) começaram a mudar de ramo e viraram gueixas femininas, os Taikomochis perderam a razão de existir.

3. Aprendizes de gueixa são chamadas de Maiko

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As jovens que ainda não foram graduadas como gueixas são chamadas de maiko (舞妓) e são ótimas em entreter os clientes com a dança tradicional japonesa ohayashi (祭囃子).

4. Gueixas e maikos usam penteados diferentes

Para essa diferença vale a máxima : uma imagem fala mais do que mil palavras (ou uma imagem e um vídeo, no caso).

Gueixas usam um penteado chamado shimada mage (島田髷).

[youtube=https://www.youtube.com/watch?v=zFeSFl5MVRU]

Já as maikos usam o momoware (桃割れ).

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5. Gueixas e maikos usam kimonos diferentes

As gueixas usam um kimono chamado tomesode (詰袖), que possui uma abertura da parte de baixo da manga (essa mesmo que fica pendurada).

 

Já as maikos usam um kimono chamado hikizuri (引きずり), que é bem parecido com o furisode, kimono usado pelas meninas para comemorar a chegada da maioridade (20 anos). Além das longas mangas, iguais ao furisode, a vestimenta das maikos também conta com uma longa calda que arrasta no chão enquanto elas andam.

6. Ambas usam maquiagem branca no rosto

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Oshiroi (白粉) é um pó branco usado para cobrir os rostos e pescoços de gueixas e maikos. Para completar o “look”, elas usam sombra no final das pálpebras e um batom bem vermelho. Normalmente as gueixas mais velhas param de usar o oshiroi.

7. Antigamente elas pintavam os dentes de preto

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Se você também já viu um filme japonês de época e também se assutou com os desntes pretos das moças, devo informar que não se tratavam de cáries ficcionais. Ohaguro (お歯黒) era uma prática comum entre todas as mulheres, não apenas gueixas e maikos, que deixavam os dentes pretos para se enquadrar aos padrões estéticos de sua época.

8. É preciso falar com o Okiya para ter uma gueixa por perto

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É preciso entrar em contato com o okiya, a casa das geuixas, para ter contato com uma gueisha. Além disso, é a dona do lugar que escolhe qual gueixa irá te receber, já que não é possível falar ou sequer ter contato com elas previamente.

9. E é preciso ter contatos para que a gueixa apareça em sua festa

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Não é tão fácil assim ter a presença de uma gueixa em sua festinha particular. Primeiro é preciso dar o nome do Ryotei (料亭), um restaurante específico (e mega chique) que possui a estrutura necessária para as apresentações da gueixa.

10. Os pagamentos das gueixas têm nomes bonitinhos

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Existem três “níveis” de preços de uma gueixa, diretamente ligados ao tempo que ela disponibilizará para o serviço.
São eles ohanadai (お花代 – flores), mais usado em Kyoto, gyokudai (玉代 – esfera, jóia), ou senkoudai (線香代 – incenso), usados nas demais regiões do Japão.

11. Gueixas possuem mecenas

12 fatos sobre gueixas que talvez você não saiba

É ele que, basicamente, banca todas as despesas de uma gueixa enquanto ela treina tranquilamente. Nesse caso, apenas pessoas ricas e poderosas conseguem “adotar” uma gueixa. Além disso, a relação deles pode ou não envolver sexo.

12. Não, elas NÃO SÃO prostitutas

12 fatos sobre gueixas que talvez você não saiba

Por favor, não confunda gueixas com oirans (prostitutas). Gueixas são artistas, mulheres livres que não querem vender seus corpos para viver, mas sim treinam uma vinda inteira para encantar as pessoas. Após a Segunda Guerra Mundial, as gueixas foram popularizadas pelos americanos como prostitutas, que tinham uma visam errônea do trabalho delas. Por isso, não dissemine essa visão você também.

Fonte: Tsunagu Japan

4 Comentários


  1. Artigo Muito interessante. Só um detalhe: o termo “oiran” pode até ser usado no Japão, hoje, como prostituta, mas está incorreto ( não é surpresa porque poucos sites japoneses se ocupam de usar termos historicamente corretos). As gueixas surgiram segundo alguns relatos históricos da fusão de funções das bailarinas odori e de prostitutas convencionais (mais tarde a legislação especificou a separação de gueixas das prostitutas). Oiran era um termo usado só em Edo (Tokyo) para alta cortesã ( em Kyoto o nome soava como Tayu), cujo status era superior ao de uma gueixa, portanto não havia lógica para elas mudarem seus status para uma categoria diferente. Além de possuírem outro status, as altas cortesãs tem uma origem mais antiga que as gueixas, pois estas surgiram do meio para o final do período Edo. Outro dado: as prostitutas tinham um ranking hierárquico e a cada nível elas recebiam uma classificação diferente. Algumas conseguiam se tornar altas cortesãs, mas no início isso não era muito comum. Essa prática se tornou mais comum no final do período Edo, quando já havia certa decadência cultural e econômica dentro do Mundo Flutuante. As primeiras altas cortesãs eram princesas, também haviam entre elas filhas ou esposas de samurais que haviam perdidos seus privilégios. Também não era considerado desonroso ser cortesã.


  2. Obrigada pela explicação! Eu já conhecia parte dessa história, principalmente sobre a classificação delas. Como o objetivo era fazer uma lista mais breve para desmistificar alguns aspectos sobre gueixas, preferi deixar tudo bem sucinto. No entanto, entendo perfeitamente que a cultura japonesa, sendo tão rica, é impossível de se resumir em listas, né?


  3. O termo “maiko” não é usado para todas as aprendizes, é usado mais especificamente para as aprendizes de “geiko”, ou seja, é um termo usado em Kyoto. Não sei dizer se outros lugares usam o mesmo termo, até porque não se sabe bem os detalhes de como está o ukiyo hoje em dia, mas em Tokyo, o termo para aprendiz é “hangyoku”, algo como “meia-pérola”.


  4. Oi, Yara! Eu já tinha lido alguma coisa sobre essa diferença de nomenclatura, muito obrigada pelo seu comentário esclarecedor! 🙂

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