Natal no Japão – Troca de presentes, encontros e despedidas

Natal no Japão Tadaima

Apesar de já ter passado um pouquinho do final do ano, decidi escrever sobre o assunto para deixar registrado como foi o meu natal no Japão. Não quero falar sobre como é o natal para os japoneses[bb] – indico o site do meu amigo Alexandre Nagado, ele explicou muito bem o significado “pitoresco” que a data tem na terra do sol nascente. Para resumir, o natal é o dia em que os namorados se encontram a sós para aproveitar um pouco a vida e o amor que cultivam, se é que me entendem. Além disso, são vendidos os famosos bolos de natal, com lindos morangos e cremes branquinhos, normalmente caros e pequenos.

Meu Natal no Japão

Comemorei, basicamente, com meus amigos do clube de jazz. No dia 23, quinta-feira, foi organizada uma session (eles chamam de session cada um dos encontros para tocar jazz, bem conveniente, né?) com o tema natalino. Apesar de eu não me animar muito com o final de ano, tenho o costume de colocar músicas de natal no véspera e no Japão[bb] não foi diferente – a não ser pelo fato que ouvi as músicas costumeiras em versão jazz.

Em outra ocasião eu prometi que iria fazer um doce brasileiro para eles e decidi cumprir o trato, para a minha sorte. Procurei leite condensado e chocolate[bb] em pó para fazer um belo brigadeiro. O problema foi que, como eu não queria gastar muito, comprei leite condensado japonês mesmo e, por ele ser mais aguado, a massa ficou molenga demais e as bolinhas se transformaram em algo sem forma grudado nas forminhas.

O importante é que, chegando na sala de música[bb], percebi que todos haviam levado alguma comida e se eu não tivesse levado nada, me sentiria um pouco envergonhada.

Como eu havia feito algo diferente e todos queriam experimentar, acabei virando a “guardiã” dos brigadeiros por um motivo que parece bobo: eu tinha que dar permissão para cada um que quisesse experimentar o doce brasileiro[bb]. Talvez se eu não estivesse por perto, eles não se sentiriam à vontade para comer os brigadeiros.

Natal no Japão Tadaima

Troca de Presentes

Fui preparada para uma troca de presentes, algo muito parecido com amigo secreto, só que sem a parte de falar algo sobre o amigo. Era preciso comprar um presente de 1000 yen (cerca de R$25,00) e, no dia, cada pacote[bb] recebia um número. Sendo assim, ao invés de sortear um nome e dizer quem era o amigo secreto, foram sorteados números correspondentes aos colados nos pacotes.

Feito o sorteio, os pacotes começaram a ser distribuídos. Eu já sabia de antemão que japoneses não abrem os presentes logo que os recebem e observei o que iria acontecer. Como ninguém os abriu, fiquei quietinha, só esperando o término da distribuição dos pacotes. Quando todos estavam com seus respectivos presentes, finalmente foi permitida a abertura dos pacotes. A “revelação” do amigo secreto aconteceu enquanto os pacotes eram distribuídos – aí é preciso ir lá e agradecer o que acabou de receber.

Depois disso ainda aconteceu um nomikai que, em tradução direta, é um encontro para ir beber – mas também se come e conversa muito, é sempre bem divertido[bb].

Natal no Japão Tadaima

Véspera de Natal

Como eu já estava bem satisfeita com a reunião do dia anterior, decidi ficar em casa mesmo durante a véspera. Eu teria ficado tranquila se não fosse por um detalhe: eu queria comer um bolo de natal. Afinal, uma vez no Japão, faça como os japoneses. Entre pensar em sair e sair de fato, uma amiga[bb] mandou mensagem dizendo que queria me encontrar.

Aqui cabe um grande parênteses: ela queria me encontrar porque não tinha com quem se encontrar – em outras palavras, não poderia se encontrar com a pessoa que ela gostava. Para suprir a necessidade que ela tinha de encontrar a pessoa amada, ela me escolheu para abrir o seu coração[bb]. Por ela ter falado em inglês, provavelmente ela viu em mim uma pessoa com quem ela poderia desabafar tudo aquilo que estava guardando, como a boa japonesa que é.

De quebra ganhei a latinha de wafers da foto do topo do artigo e fui comprar os bolos que aparecem aqui – além de, claro, a sensação de que no Natal coisas realmente mágicas acontecem.

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Sobre Mylle Silva

Aos 10 anos apaixonou-se por um desenho chamado Guerreiras Mágicas de Rayearth e hoje não consegue viver sem o Japão em sua vida. Se formou em Jornalismo e está cursando Letras Japonês. Adora ter blogs e sonha ser escritora. Para conferir um pouco do que escreve, visite http://myllesilva.blogspot.com