Resenha: A Casa das Belas Adormecidas – Yasunari Kawabata

Capa do Livro

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Yasunari Kawabata é um dos escritores japoneses contemporâneos de maior sucesso no mundo. Recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1968 e quatro anos depois cometeu suicídio. A solidão, a angústia da morte e a atração pela psicologia feminina foram seus temas constantes. E uma das obras em que ele mais explora o erotismo feminino é A Casa das Belas Adormecidas.

Eguchi é um senhor de 67 anos que visita um hotel no qual moças são dopadas e pagas para passar a noite com velhos que “deixaram de ser homens”, nas palavras do prórpio personagem. Todas as meninas eram virgens, e a condição da casa é que nenhuma delas poderia ser corrompida pelos visitantes. Elas dormiam nuas e profundamente no quarto enquanto os senhores gozavam do prazer de estar ao lado delas.

Ao todo Eguchi tem contato com seis “belas adormecidas”, cada qual deixando uma marca diferente no velho. Ao longo do romance o personagem passeia por suas lembranças, além de encontrar-se com a alma feminina, com todas as mulheres de sua vida.

Ao ler A Casa das Belas Adormecidas, o leitor terá a impressão de estar diante de uma pintura da qual extrairará alguma interpretação, mas nunca uma resposta exata. A conclusão, ao contrário do que estavamos acostumados na cultura ocidental, é muito mais subjetiva do que certeira, digamos assim.

Acredito que exista uma beleza latente e incômoda nos textos do Kawabata, como se estivéssemos diante de um irrealizável constante. Como se fadados ao nada. E é exatamente por isso que vale muito a pena ler.

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Sobre Mylle Silva

Aos 10 anos apaixonou-se por um desenho chamado Guerreiras Mágicas de Rayearth e hoje não consegue viver sem o Japão em sua vida. Se formou em Jornalismo e está cursando Letras Japonês. Adora ter blogs e sonha ser escritora. Para conferir um pouco do que escreve, visite http://myllesilva.blogspot.com